15 Anos de jejum madeirense e a chance de a águia reerguer-se | CD Nacional x Benfica

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Primeira Liga, 12.ª jornada: sábado, 29 de novembro de 2025, 18h00.
A ANTEVISÃO: O DUELO DA CHOUPANA OPÕE UM BENFICA QUE APONTA À REAÇÃO E UM NACIONAL EM DIFICULDADES
Após o último jogo da Liga Portuguesa ter sido algo traumático para os encarnados (empate caseiro a duas bolas com o Casa Pia), pretende-se claramente virar a página e partir para um novo ciclo de vitórias. Esse novo ciclo já foi, em parte, iniciado com os triunfos sobre o Atlético CP para a Taça de Portugal e Ajax para a UEFA Champions League (ambos por 2-0), faltando agora retomar o caminho dos triunfos na Liga para o mesmo se tornar mais consistente. Um rumo bastante relevante para a turma da Luz, visto que nesta temporada a sua melhor sequência de vitórias consecutivas foram quatro, mas tal aconteceu no começo da época, ainda com Bruno Lage no comando da equipa.
Desde então, o Benfica conseguiu apenas mais duas sequências de três vitórias seguidas (um deles ainda com Bruno Lage e outro já com José Mourinho) e pelo meio já vai em nove jogos não ganhos (cinco empates e quatro derrotas), seis dos quais já com José Mourinho no banco. Nos resultados negativos de Mourinho no Benfica, embora tenham estado pela frente adversários muito difíceis como FC Porto, Chelsea, Newcastle e Bayer Leverkusen, ficaram também fracassos (também exibicionais) contra Rio Ave e Casa Pia. Ainda paira o espírito de que a equipa não melhorou de resultados com a vinda do “Special One”, algo que o mesmo pretende afastar rapidamente.
Tal é perfeitamente possível, não só porque neste momento já trabalha sobre vitórias como com o tempo já começa a organizar a equipa com os seus métodos, visão e escolhas. Embora tudo leve a crer que procure ter reforços em certos setores do plantel (nomeadamente extremos), Mourinho está a procurar juntar as opções ricas em qualidade que o plantel encarnado já tem, com novas opções vindas da formação. Uma opção que não só demonstra trabalho para o presente como também para o futuro. Além de uma valorização de todos os membros do plantel quando chamados a integrar a equipa, algo que se viu na situação da indisponibilidade por castigo de Richard Ríos para este encontro, Mourinho diz “Não há Ríos, há outro”.
No aspeto técnico e tático, aliado à inequívoca falta de extremos na equipa, Mourinho tem demonstrado que pretende reforçar o meio-campo, no sentido de o tornar bem povoado e de dar consistência à equipa. Em termos defensivos, embora a equipa benfiquista tenha lacunas e demonstrado inconsistência em alguns jogos, tende mais recentemente para um esquema organizado e rigoroso para as transições ofensivas. Na parte ofensiva, a equipa busca a dinâmica e um jogo vertical com jogadores que procuram espaços entre linhas e soltam rapidamente as transições. Toda uma estratégia que se espera da parte do Benfica para este jogo.
Fonte: João Freitas / Bola na Rede
Da parte do CD Nacional, terá a difícil tarefa de tornear o ciclo em que se encontra. Na presente época, o clube madeirense tem quase tantos jogos perdidos como não perdidos (seis e sete respetivamente) e tem demonstrado bastante inconsistência defensiva (20 golos sofridos em 13 jogos disputados).
No entanto, a turma de Tiago Margarido tem os seus trunfos e argumentos. Em termos ofensivos, marca em quase todos os jogos e luta pela capacidade de furar blocos defensivos adversários. Ambas as situações que depois deixam a equipa um pouco descompensada em termos defensivos. No fundo, o CD Nacional de 2025/26 até ao momento alterna entre momentos de combatividade ofensiva e vulnerabilidade defensiva, o que torna irregulares os resultados da equipa.
Fonte: Pedro Figueira / Bola na Rede
Havendo sempre espaço para surpresas, espera-se que neste jogo o Benfica assuma a posse da bola, o controlo do ritmo e force o erro dos madeirenses, além de naturalmente ter mais qualidade coletiva e individual. Já o CD Nacional irá procurar resistir defensivamente e apostar em transições ou bolas longas nas costas da defesa benfiquista, mas vai precisar de muita coesão e esforço coletivo, além de concentração e acerto para poder surpreender e evitar sofrer cedo.
10 DADOS RÁPIDOS
1. O historial entre os dois clubes favorece largamente o Benfica, com 39 vitórias em 50 jogos contra os madeirenses, sete empates e quatro derrotas.
2. Para todas as competições, historicamente existiram 23 jogos entre os insulares e as águias na Choupana, com vantagem clara para os encarnados (17 vitórias, dois empates e quatro derrotas).
3. Todas as vitórias do Nacional sobre o Benfica ocorreram em território madeirense e foram sempre a contar para a Liga Portuguesa.
4. O último triunfo do CD Nacional sobre as águias data da época 2010/11, o coletivo orientado por Jokanovic venceu os campeões nacionais de Jorge Jesus por 2-1.
5. O CD Nacional não vence o Benfica há 22 jogos, desde 2010 até hoje existiram somente dois empates e 20 vitórias dos encarnados.
6. Nas quatro temporadas que o Benfica perdeu na Choupana, acabou por não ser campeão (2002/03, 2003/04, 2008/09 e 2010/11).
7. No histórico entre os dois clubes, as águias têm mais 90 golos que os madeirenses (119 e 29 respetivamente).
8. O defesa central Pedrão, hoje no Maccabi Haifa, foi o último jogador a marcar pelo CD Nacional frente ao Benfica (2020/21 na derrota por 1-3)
9. O CD Nacional não vence há quatro jogos, três dos quais para a Liga Portuguesa (empates a um golo na Reboleira e Amoreira, derrota caseira por 0-1 frente ao FC Famalicão)
10. Com José Mourinho no banco encarnado, até agora, os seus pupilos só perderam pontos para a Liga no Dragão, de resto sempre venceram fora de casa (onde têm mais pontos conquistados do que a jogar em casa).
JOGADORES A TER EM CONTA
Fonte: Pedro Figueira / Bola na Rede
Jesús Ramírez – Estando perante um adversário poderoso, a equipa madeirense irá procurar a coesão defensiva e as jogadas de contra-ataque a fim de conseguir surpreender. Neste segundo ponto, a eficácia será chave para alcançar um resultado positivo, visto que a consistência defensiva pode ser insuficiente para o CD Nacional derrotar uma equipa como o Benfica.
O avançado venezuelano é de longe o principal artilheiro dos insulares (sete golos em 16 marcados pelo conjunto) e estarão nele muitas das esperanças da equipa para este jogo. Jesús Ramírez além de um esquerdino possante, procura o espaço e é forte no jogo aéreo. Trunfos que serão uma mais-valia no ataque madeirense e que são indispensáveis para equipa de Tiago Margarido ter mais hipótese de pontuar contra os pupilos de José Mourinho, que já mostrou algumas vezes esta época ter lacunas defensivas.
Fonte: Ana Beles/Bola na Rede
Pavlidis – Estando com muita carência nos extremos, será normal que os encarnados procurem mais soluções no jogo interior, através de interligações entre os meio-campo e o ataque a fim da concretização. Para tal, será necessário um meio-campo forte e criativo, mas igualmente um ataque com atores móveis e que consigam concluir com relativa facilidade o processo. Sem dúvida que o perfil do avançado grego é ideal para tal. Além de ser excelente na finalização (como provam os 15 golos de águia ao peito esta época), Pavlidis também consegue recuar para ligar jogo e participar na construção.
Aliado a tal capacidade técnica, o avançado benfiquista também é forte no aspecto físico, perfeitamente capaz nos duelos e movimenta-se bem. A sua inteligência permite-lhe não só fazer alguma contenção, como movimentos bruscos a fim de arranjar espaço para rematar ou colocar num colega em melhor posição. Um dia bom do avançado grego aumenta imenso a capacidade da sua equipa alcançar uma vitória confortável.
XI´s PROVÁVEIS
CD Nacional: Lucas França, João Aurélio, Léo Santos, Zé Vitor, José Gomes, Matheus Dias, Igor Liziero, Chiheb Labidi, Paulinho Bóia, Witi Quembo e Jesús Ramírez;
Treinador: Tiago Margarido
«Não vou falar como podemos ferir o Benfica. Contra o Sporting, aqui em nossa casa, jogámos olhos nos olhos e até fomos em vantagem para o intervalo; no Dragão, dividimos o jogo até ao fim, olhámos olhos nos olhos nos momentos em que o jogo o permitiu. Como tal, vamos ser pressionantes a espaços e tentar ser o mais ambiciosos possível, sabendo que teremos um grande adversário pela frente. Vamos competir e olhar olhos nos olhos do Benfica».
Benfica: Anatoliy Trubin, Amar Dedic, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Fredrik Aursnes, Enzo Barrenechea, Leandro Barreiro, João Rego, Georgiy Sudakov e Vangelis Pavlidis.
Treinador: José Mourinho
«Estas equipas encontram uma motivação extra quando defrontam o Benfica. O Tiago Margarido está no clube há algum tempo, portanto, têm as rotinas bastante afinadas. Serão um adversário bastante complicado, tendo em conta a agressividade que colocam no jogo. A nossa vitória diante do Ajax foi importante porque deu-nos um conforto diferente para esta partida – não quero usar a palavra ‘tranquilidade’ porque é errada no contexto do Benfica».
PREVISÃO DE RESULTADO: CD Nacional 1-3 Benfica




